Cinco da tarde, é tempo de exercício físico. Meia-hora, ou a tentativa de uma hora de bicicleta, 500 ou 1000 calorias perdidas. Os auscultadores nos ouvidos, onde a música soa em tom bem alto, dirigem o ritmo dos pedais, como se de uma orquestra se tratasse. Transporto a minha mente à infância e vejo os ciclistas subindo a Serra da Estrela. Lembro do suor escorrendo pelos seus rostos, como água na fonte. Imaginava na altura a comichão que fariam as gotas de suor deslizando pelas suas costas e como fariam eles para coçar, pois não podiam tirar as mãos do volante!
Imaginando o prado verde da Serra, vou subindo a montanha na minha bicicleta, em frente ao espelho na parede do meu quarto. Vejo as gotas de suor que lentamente se formam bem no fundo dos meus caracóis, e sinto a comichão outrora imaginada, inquietantemente, alucinantemente fazendo o meu corpo estremecer, enquanto as gotas vão molhando os auscultadores, molhando cada vez mais a minha blusa já agarrada ao corpo. Olho o marcador da bicicleta, e percebo que por hoje chega.
Do quarto para a casa de banho, ponho a água quente a correr na torneira, encho a banheira, onde a espuma me espera como algodão doce.
Dispo a roupa, sinto no corpo a diferença da temperatura, o suor arrefecendo, as gotas escorrendo. Os pés agora descalços, primeiro no mosaico cinzento do chão da casa de banho, e depois no tapete, sentem o frio do mármore e o deslizar confortante e quente do tecido. Entrando na banheira, sinto o calor morno da água, provocando um arrepio delicioso, como uma sobremesa agre e doce. Nas nuvens de espuma em que me afundo, imagino um grande monte de bolinhas de esferovite onde enterro minhas mãos. Mergulho o corpo dentro de água e uma sensação de liberdade absoluta invade a minha alma.
A esponja volumosa, mas delicadamente macia, com um gel cheiroso, percorrendo o meu corpo, lava as gotas de suor cansado, mas desejado.
Um pouco de champõo frio nas mãos, contrapõe o quente da água e provoca um arrepio delicioso. O líquido espalhado no cabelo impõe a leveza necessária para o conforto. Um pouco de óleo deslizando pelos braços, pelas pernas, pequenas gotas gordurosas e macias deslizam como as gotas de suor, mas sem comichão. Depois a água que flui em pressão pelo duche, atravessa a pele, trespassa o coração e ilumina a alma. O veludo da toalha enrolado no meu corpo revigora as forças e a vontade de ficar, chegada que estou ao cimo da montanha.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
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